terça-feira, 21 de outubro de 2014

Reflexões de uma mãe (que trabalha fora).



Eu e Isadora, Isadora e eu... e o Kla. É, e o Kla!! O Kla está quando pode estar, esse negocio de ter que trabalhar .... como ele consegue? Não sei.. me pergunto várias vezes como ele consegue sair de casa cedo e estar com ela só por um pequeno intervalo de tempo durante o café da manha. Meu coração dói quando ele sai... será que o dele dói? Será que ele se acostumou? Não sei.. o meu dói quando saio. Sempre dói.... as vezes de alívio, as vezes de saudade, as vezes de culpa.... culpa... acho que não mais.. mas já doeu.. hoje reconheço melhor minha necessidade de ir e a dela de ficar, bem cuidada, em casa. A Poli que cuida dela... cuida bem direitinho, e ela adora a Poli. As vezes me ignora quando a Poli ta junto, as vezes me provoca.... bem vinda a vida, filha! E é também verdade que a Poli brinca e vai aonde ela quiser... a mamãe? Bom, nesse caso, a mamãe nem tanto. Mas tudo bem, sem culpa... Mas confesso que já me peguei várias vezes com ciúme da Poli. Ela que fica ali todo dia, ela que vê tudo, que acompanha tudo.. e eu saio... mas aí eu respiro e tenho que racionalmente, refazer um caminho. O caminho da escolha.... será que tive, de verdade, essa escolha? Ir trabalhar.. quantas vezes ouvi dizer que mulher precisa trabalhar, não pode depender de ninguém. Será que essa seria a minha escolha se eu não tivesse tido as influencias que tive? Enfim, eu respiro e refaço meu caminho. Me pego em mim mesma: não! Eu escolhi, sim. Gosto da minha escolha, trabalho quando quero, como quero e, principalmente, com o que quero. Sou privilegiada nesse ponto. Agradeço aos meus pais. (Meus pais... me disseram que depois que a gente tem filho entende mais os pais, e é verdade....)  Eu só tenho uma filha e sofro com isso, como eles faziam com 4? Acho que nesse ponto, 4 deve ser mais fácil. Mas só nesse ponto. De novo vou tentando refazer meu caminho. Passo muito tempo com minha filha, vejo cada coisa nova que ela faz, acompanho cada passo, cada palavra nova, cada habilidade adquirida (já escorrega sozinha no escorregador), sabe algumas cores e conta 1, 2 e já! As vezes se embola e chama de azul o amarelo, e começa a contar do 2: 2,3, 10! Tudo bem, ela só tem 1 ano e 5 meses... mas vi quando falou “balanço” pela primeira vez! Emocionante, primeira palavra de 3 silabas. Lindo!!! Vi quando engatinhou a primeira vez. Ela mesma nem notou.. demorou alguns dias pra ela entender.. Essa foi interessante... eu nunca ia imaginar que ela não notaria!!!! Vi quando deu os primeiros passos... Ufa, que medo eu tinha de não ver nada disso. E assim o caminho vai se refazendo. Que alivio... se a gente não se olha, o mundo nos engole. Nos engana, nos diz que não somos boas o suficiente. Boas pra quem mesmo?  fico me perguntando... Quem somos nós nesse mundo maluco? Como será ser pai? As vezes queria ser pai.... mas só as vezes, vontade que passa rápido, sabe? Será que o coração deles não dói? Será mesmo??? Não sei... tenho duvidas.. talvez eles não se exijam tanto nessa profissão de ser mãe.. Claro que não se exigem, eles não são mães... são pais... ta vendo? É nessa hora que eu queria ser pai. E é aí que eu percebo que o caminho precisa ser refeito de novo. Assim é minha vida, sendo refeita a todo momento, me transformando, metamorfoseando, como a lagarta que vira borboleta, as vezes dói, mas quem disse que não ia doer? E assim sigo, por vários ciclos que ascendem numa espiral da vida e crescimento junto com minha pequena grande mestre!

Monica XB 

sábado, 11 de outubro de 2014

Dentro de mim mesma




E então, mais uma vez, uma onda toma conta de mim. Por algum momento, talvez por causa da fase da lua, talvez por causa de um alinhamento planetario, talvez por causa do solstício, talvez hormonal, talvez nada. Talvez tudo....
É assim que acontece. De repente, me vejo entrando fundo dentro de mim. E vou me enroscando, enroscando, entrando cada vez mais em mim mesma, que já não sou mais um corpo.
Sou um espiral, girando, girando; entrando. Um lugar que não sei onde é. Não tem forma. Não tem cheiro. Só sei que é muito fundo e escuro. Então percebo que é a minha escuridão. Minha sombra. Começa a doer o peito. Apertar, sufocar, incomodar. E assim, uma cachoeira de sentimentos e percepções. A vontade é de sair, é de me mexer, pular, gritar, virar pro lado, pro outro. Fugir. Fugir pra onde? De que? De quem? Não adianta. Tá ali. A sombra. Grande e temida.
Há! É aí que voce está!! E é nesse nada que nos encontramos. Que voce, sombra, me cutuca. Quanto mais eu quero fugir, maior vai ficando. Fisicamente minha garganta trava. E alguma coisa fica ali me sufocando. Então chega uma certa ansiedade. Uma compulsão em querer fazer alguma coisa. Ou querer mudar alguma coisa.
Por um instante me vejo no meu filho. "Eu quero, eu quero... Mas eu quero!!"
Encontrei a minha criança! Perdida, solta, ansiosa e com muito medo dessa sombra. Que sombra? Não tem ninguém ali, nem nada. Escuro. Monstruoso. Dolorido. Sufocante. Agoniante.
Mas ao mesmo tempo forte. Sim, forte. Encontrei também, ali na sombra, a minha força!
É lá que elas estão. Juntas. Siamesas.
Entendi.
E assim, mais uma vez, renasci.
Renascer das sombras, das cinzas. Fênix!

Preciso me desfazer de tudo o que sei, o que sou. Dessa rigidez que por mais que seja flexivel aqui e ali, uma hora se torna certeza, se torna lei. Esse é o meu veneno. Por isso preciso me desfazer de mim mesma várias vezes. Sempre. Lá na escuridão, no meu encontro com ela, comigo, com tudo e nada. Me faz pensar.
Aaaaaaahhhhh!!! (Grito sufocado!)
Não quero ser nada. Não quero ter certeza de nada. E por mais que eu nao queira, volta e meia eu estou lá de novo. Cheia de regras, certezas, rigidez.
Preciso esvaziar. Preciso me despir. Soltar. Libertar. Desapegar.
Desapegar dessas trapaças da mente. Do mundo externo. Mas que mundo externo? Se o mundo externo é meu mundo interno....
Tá.
Muita reflexão.
Muitas questões.
Muitos processos.

E então, seguro na mão da minha sombra, da minha força, da minha criança, da minha jovem, da minha velha.
E vamos juntas!
Da melhor forma.
O melhor que posso, que consigo.
Um dia, qualquer hora, voltarei lá e nos encontraremos de novo.
Pra morrer e renascer.