sábado, 26 de abril de 2014

O meu caminho

Faz tempo que eu busco um caminho.
Faz tempo que eu nado e morro na praia.
Faz tempo que o vazio me persegue. Mas me preenchi com minha família.
Caminhei firme e forte, contra muita coisa, contra muitos conceitos, muitas crenças, muitos pré conceitos.
Sou psicóloga de formação. Não saí apaixonada pela psicologia quando me formei. Pelo contrário, saí sabendo que era exatamente o que eu não queria.
Então, fui pro esporte. Adoro esportes. Tenho energia de atleta. Adoro correr, nadar, bike, pular corda. Hoje faço capoeira. Amo! Fiz triatlon por alguns anos. Apaixonada. Mas não deu. Não tinha como bancar esse esporte mega caro. Mas foi bom enquanto durou.
Enquanto isso, meu pai ficava no meu ouvido "tá perdendo tempo.. tem que fazer concurso.."
E lá fui eu, estudar, fazer cursinho, fazer provas... Não, não. Não é isso! Tem alguma coisa errada. Isso não está me fazendo feliz. Trabalhei aqui, ali. Não estava satisfeita. Mas a pressão social incrivelmente te engole se você não for mais forte que ela. Mas eu fui forte e não cedi. Não foi fácil. Afinal, olhos julgadores existem. "Não vai trabalhar§ Não vai fazer nada da vida§". Enquanto alguns trabalhavam, doutorados, mestrados, concursados. PA-RA-BÉNS!!! Eu não.
Ah tá, tinha uma que eu gostava: "Você tem que ser alguém§". "Hein§"   "Oi§" (Papinho de Fantástico da Globo)..Então você tá dizendo que eu não sou "alguém". Eu sou tão alguém que não faço o que todo mundo faz porque acha que tem que fazer só porque todo mundo está fazendo. Rsrsrs!! Aff!!

Enfim, fui caminhando, buscando, querendo encontrar o caminho que meu coração dissesse "É esse!". Sabia que um dia eu ia encontrar. Mas as vezes perdia a esperança.
Namorei. Casei. Tive meus filhos. Muita coisa mudou. Menos a pergunta que nunca saiu da minha cabeça "O que eu vou fazer§". "Qual o meu caminho§".
Pois é. Achei! Sabia§ É! Encontrei aquele caminho que o meu coração disse "é esse!"
Um dia eu dormi Duda e acordei Doula!
Tive certeza que era isso. Eu me imaginava e conseguia me ver, lá no sonho, feliz, confiante, segura e não me deu sentimento de tristeza, de angústia. No dia seguinte eu já estava na internete procurando algum curso de doula aqui em Brasilia. No final da semana, eu já estava fazendo a inscrição em um curso. Nossa! Que mágico. Que adrenalina, que sensação boa, gostosa.
Eu amei parir! Por mim eu paria uns dez só pela sensação maravilhosa que é. Mas calma. Deus me livre dez filhos! Já estou pirada com dois..
Então é isso. Vou parir os filhos das outras mulheres. Vou ajudá-las nessa caminhada que é linda e maravilhosa. Um momento tão único e mágico. Preciso compartilhar. Quero compartilhar com elas. Quero olhar no olho e dizer "Você consegue!", "Você sabe!". Quero sentir a energia da vida, o cheiro da vida! Quero sentir muita ocitocina circulando pelo meu corpo.
Eu tive minha experiência um dia desses. Fui ao encontro dela, passamos a madrugada juntas e, vou confessar uma coisa, é maravilhoso! É lindo. É lindo estar ao lado de quem vai parir. Respirar junto. Fazer massagem. Acalmar. Apoiar. Acreditar. Ajudar. Amar! Observar todo o processo, vê-la de lá pra cá, buscando um canto, uma posição, um som, sentindo dor, respirando...
Quero!
Quero muito!
Quero pra sempre!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Só por hoje eu não quero mais ser mãe....


Preciso falar umas coisas... Umas várias coisas... Preciso começar falando assim: Puta que pariuuuuuuuu!!!!!!! Esse foi o pior feriadão de todos os tempos da minha vida!!! Todo mundo doente! E como é que cuida dos outros se até você está doente. Eu não tinha vontade de nada, nada,nada. E aí§ E aí, foda-se!! Vai cuidar dos seus filhos, da casa, do marido..... O marido ajuda,  muito. Mas o dia que ele voltou a trabalhar, fudeu!
Tô aqui, com uma tosse escrota que vai mas não vai embora. Me deu uma puta sinusite que eu achei que minha cabeça ia explodir. Nunca tive sinusite. Não sou de ficar doente. Meus filhos não são de ficar doentes. E dessa vez, derrubou todo mundo. Me deu um soco na cara, na boca do estômago e ainda me passou uma banda e falou assim : "Toma!!!" E o pior de tudo não é ficar doente. É o pós doente. Meus filhos estão loucos, consequentemente eles tem uma mãe louca em casa. Eles choram o dia inteiro sem parar!! Feriadão é uma bosta. O pai fica em casa e é tudo mil maravilhas, o pai volta a trabalhar e Taian fica enlouquecido. AAAAAHHhHH!!!!!! Esse muleke acorda chorando. Peraí, BERRANDO! "Eu quero papai, eu quero papai"... E não pára!! E chora por tudo e qualquer coisa. Terrible two o cacete!!! Terríveis dois, três, quatro.... Acho que o resto da vida.....
Mas eu sou uma mãe consciente. A primeira vez fui lá e conversei. No segundo dia deixei chorar por mais ou menos uma hora sem parar. No terceiro dia, hoje (a mãe consciente foi dar uma volta); ja peguei com força, sacudi, gritei, mandei calar a boca, me escondi no banheiro, falei que ia embora...... Ai! Nada resolve.... Mas eu não aguento mais ouvir choro. Porque não é só de um, tem o Aiko também que não para de chorar e gritar e me bate e dá cabeçada no chão e machuca a gengiva com a unha....
É!! Isso!!! Essa semana meus dias estão assim. Um caos!
Pensei mil vezes em excluir o blog, a página no face. Nessas horas eu só quero saber de sumir, desaparecer.
Tá, tudo bem. Depois dessa fase de doença tudo se refaz, se regenera, revitaliza. Ok! Mas ainda tô na merda. Menino chorando O DIA TODO não dá! 
Ainda bem que eu não tenho nenhuma ruptura no meu Ego, se é assim que fala. Porque se tivesse, já teria jogada menino pela janela, já teria ido embora de casa, já teria enlouquecido..
Esses dias, estudei lá no centro, sobre a loucura e o suicídio. O que faz a gente não enlouquecer e não cometer o suicídio é a nossa fé. A fé de que tudo vai melhorar. Que mais lá na frente as coisas vão mudar e pra melhor. Fé num futuro melhor. Pois é, então acho que é isso que me faz sã. A minha fé!
Porque puta que pariu!!! 
Como pode dois mini seres tirar uma pessoa de seu equilíbrio, do seu centro, como esses dois fazem.
Ai, minha cabeça explode.....
Sinusite, escrota!
Mulekes berrando...
Almoço pra fazer...
Casa suja...
Cachorro latindo e chorando também...

DEUS!!!!
CADÊ O PARAÍSO§§§

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Só sei que nada sei


Pô!
Tô ficando maluca. Quanto mais eu me informo, mais estudo, parece que menos sei.
Vou lá na internete, procuro meus assuntos, leio, acho interessante.. "Esse eu levo pra vida.."; "Esse não..."
Desligo o computador. Começo a pensar no que li, no que estudei, e.....
Pânico!!!
Tipo, não sei nada!!
Acho que eu quero abraçar o mundo, e claro, não consigo. Esqueço de subir os degraus, um a um. E talvez isso me cause tanto transtorno, tanta ansiedade. Quando eu resolvo procurar alguma coisa na internete, eu vou atras de tudo de tudo. E tento, em milésimos de segundos, captar o máximo possível de informações. Loucura, né! Aí, quando termino de ler, já quero ser a expert no assunto e sair por aí trabalhando. Claro que eu vou pirar.
Fico totalmente pra fora de mim, perdida. Aí me desconecto: não consigo interagir com meus filhos, fico igual uma barata tonta em casa. Prá lá e pra cá. Ansiosa.
Eu já me acho meio maluca e, nessas horas, eu tenho certeza que eu sou é muito maluca mesmo! 
Vontade de chorar.  
Menino chorando... Aff!
Surto!
Preciso me concentrar. Voltar ao meu estado "normal" (se é que existe esse "normal"), me centrar. 
Tá. Ainda bem que eu sei disso. Preciso ir devagar e com calma. Um dia, uma hora eu chego lá onde eu quero. Mas pra chegar até o "calma" eu já passei por toda essa loucura insana!
Respira. Vai pro blog escrever.... Desabafa. É bom. 
É. Eu sei. É bom. Mas até eu conseguir sentar e colocar as idéias em ordem e conseguir escrever. Pffffff!!!! Escrevi e apaguei milhões de vezes. Tive certeza e incertezas em um milésimo de segundos. Sentei e levantei oitocentas vezes. Meu coração batendo tão forte que eu conseguia escutar. 
Calma mulher.
Porra!!!
Que turbilhão!!! Que mente maluca. Que inconsistência. Que merda!
Tá. Volta. Respira de novo. Acalma o coração.
Um dos artigos que li e que eu nem sei mais de que assunto se trata, pois eu li tanta coisa em um segundo que eu nem sei dizer a fonte da porra do artigo.
Lá diz que é bom falar sobre as coisas do dia a dia. Que isso é uma fonte de cura. Massa! Agora vou falar tudo! Até que eu tô indo ali no banheiro fazer um cocô. 
Será § 
Nem tanto....

sexta-feira, 11 de abril de 2014

E a placenta... a árvore da Vida

Fiquei sabendo da placenta no meu primeiro filho.
Minha doula, Marcela, que me contou. Que podemos guarda-la e planta-la!! E foi isso que eu fiz.


Guardei a placenta do Taian (congelada) e esperei uma boa oportunidade para planta-la. Pensei em algum lugar, alguma árvore...
Como não tenho ainda a minha casa quis escolher e pensar muito bem onde poderíamos planta-la.
Nessa época ainda morávamos em Alto Paraíso e estávamos voltando pra Brasilia. Um dia acordamos e juntos tivemos o mesmo pensamento. Vamos plantar no mirante de Maytreia no caminho pra São Jorge.
Sempre cultivei muitas plantas. E tinha várias frutíferas em casa. E escolhi uma especial. Especial pra mim. Adoro amoras!! E já li na Mitologia a história dela e achei encantadora e apaixonante. E nunca mais tirei a árvore de amora da  minha cabeça.
Então escolhi plantar a placenta do Taian em uma árvore de amora. Pegamos a nossa mudinha e fomos pra São Jorge.
Bom, somos muito ligados com a espiritualidade, aprendemos sobre a enorme força espiritual que existe na placenta e então fomos de corpo e alma pra grande missão: plantar uma parte de nós e do Taian na terra.
Pra gente, foi muito especial e emocionante. Fizemos um ritual antes de plantar. Rezamos, entramos em contato com a natureza, pedimos permissão e pedimos muito, que a árvore vingasse.
 Pois é, j passaram três anos e ainda não voltamos lá. Meu coração vive apertadinho e curioso pra saber o que aconteceu com aquela pequena árvore de amora...
Será que está lá§
Será que sobreviveu §
Espero que sim.....

quarta-feira, 9 de abril de 2014

"Pa..paii..."


Uma noite dessas....
Taian e Aiko dormindo. Nós, lá embaixo, comendo, assistindo um filme. De repente, o silêncio é rompido.
"Pa..paiii.."
"Ixi" (rs!) ou "Eita" (rs!). Às vezes, sai um "Putz!" ou "Ah, não.." (rsrs!)
Claro que na décima vez vai logo um "Porra, de novo!!" (rsrsrsrsrs!)

Enfim, como foi o primeiro chamado o papai subiu tranquilo. Ah ta, tenho que explicar uma coisa: normalmente quem chama pelo pai é o Taian e o Aiko que me chama. Ok!
Aí desce o papai. Eu olhei pra ele. Ele olhou pra mim. Hum... Senti um ar diferente no sorriso dele. Um brilho! E o papai, com esse sorriso mais brilhante do mundo e feliz me diz assim: "Era o Aiko!"
Há!
Nosso Aiko! Chamou pelo papai!!!
Foi tão especial que eu também compartilhei desse sentimento novo.
E a noite fechou de uma forma diferente e gostosa.....

terça-feira, 8 de abril de 2014

Coisas de Maria.....



Estou percebendo o quanto é bom escrever e compartilhar. Independente se vão ler ou não. É pessoal. É meu processo. Colocar pra fora em forma de escrita o que eu sinto, a minha opinião, meu jeito de viver. E parece que vou me curando a cada texto. Me curando de mim mesma. Das minhas angústias, medos, dúvidas. Sempre gostei de escrever, desde pequena. Diários eu tinha aos montes. Depois vieram as agendas coloridas. Em qualquer lugar eu escrevia meus pensamentos, até no caderno. Palavras soltas, desenhos... Porque é dificil, pra mim, expor coisas tão minhas num blog onde muitas pessoas vão ler. Sempre me senti muito diferente. Desde a infância até a faculdade (rsrs!! tá. não sou tão problemática assim..). Mas sempre pensei diferente, meus comentários eram diferentes, meu jeito era diferente. (mas também não era tão esquisita assim, rs!)
Quando me expressava, já na fase adulta, sempre vinham comentários do tipo "revoltada", "agressiva", "grossa" , "tosca" (kkkkk, eu gostava do tosca!) Mas, na verdade, era a minha opinião que não agradava muito.
Então fui me guardando, me fechando, me escondendo desse mundo que parecia que não tinha lugar pra mim. E assim o mundo me engoliu!
Pois é, mas um dia eu mudei. E vi que o mundo não podia ser tão ruim assim. E vou ter que confessar uma coisa. A mais clichê de todas e, logo eu, que não gosto nem um pouco desse tal de "clichê". Mas desse eu faço parte. Depois que o meu primeiro filho nasceu eu renasci! E renasci mais uma vez depois que o segundo filho nasceu! Acho que eu vou ter que ir pro terceiro, quarto.... rs!!! Sério!! Eles vêm me curando. Eu despertei e voltei com força total!
Não tenho mais medo de ser quem eu sou. E nem de mostrar quem eu sou. E o mundo não está mais contra mim. É só minha opinião e, como eu, tem outras pessoas também.
E aí descobri blogs de pessoas que compartilham das mesmas opiniões, mesmo estilo de vida. E isso faz com que eu não me sinta tão sozinha e me dá coragem de vir aqui e escrever meus pensamentos.
Já está virando um vício. Todo dia penso em alguma coisa pra escrever, mil idéias na cabeça, mil pensamentos.. Não consigo mais parar.
É como uma onda.
Surge um desejo dentro de mim. Vai crescendo, me envolvendo e vai formando uma bola de luz branca bem no centro do meu corpo. Essa bola vai girando na velocidade dos meus pensamentos. Assim como a onda vai crescendo e o volume de água aumentando. E o meu peito vai esquentando, vai fervendo; o coração vai acelerando, essa energia vai subindo pra garganta; minhas mãos começam a tremer, minhas pernas... E, como num espasmo ou uma contração ou um vômito, as palavras saem de mim. Ou colorindo o papel branco ou a tela do computador. E assim, meu corpo se alivia, relaxa e a leveza se instala.

Não consigo mais parar....
Preciso escrever todos os dias...

domingo, 6 de abril de 2014

Cama Compartilhada - Eu, Nós, Eles!



Eu não sabia nada sobre cama compartilhada. Não sabia que existia esse assunto. Eu simplesmente segui meu coração. E assim que tudo começou.....
Taian sempre dormiu no bercinho dele dentro do nosso quarto. Estávamos sempre juntos. Aiko nasceu. Um assunto que sempre perseguiu meus pensamentos "Como vai ser quando Aiko nascer§". Pensei em váaarias coisas, soluções. Soluções pra que§ Não tem nada de errado. O irmão vai nascer e todos vamos ter que nos adaptar. Não é só o Taian que vamos ter que trabalhar. Todos nós vamos ter que encarar de frente esse serzinho que vai entrar na nossa vida. E não é fácil. Não foi com o primeiro filho e também não vai ser com o segundo, terceiro.... O segundo filho também muda muita coisa.
Eu acredito muito que tudo acontece com naturalidade é só deixar acontecer e não ficar adiantando problema. Quando deixa rolar com responsabilidade e consciência é mais fácil. Peraí! É assim pra mim. É assim que eu me resolvo com a vida. Por mais que eu me preocupe, me angustie e blá blá blá... Eu sei observar e aí começar a intervir onde precisar.
E foi assim.
Nosso Aiko nasceu e a gente foi se adaptando, arrumando aqui e ali. E naturalmente as coisas foram se encaixando e ficando cada uma no seu devido lugar.
Então, não sou dessas que sai comprando tudo de tudo porque vai chegar um neném em casa. O que eu tinha do Taian aproveitei pro Aiko, meio óbvio né! Até que bate uma vontade louca de sair comprando berço novo, bebê conforto novo e por aí vai. Também não vou ser besta e falsona. Vontade dá. Mas é só porque parece que tem que ser assim, entende§ É tanta coisa na televisão manipulando nossa própria vontade, que deixamos de ser quem somos e vamos ser quem a televisão (novela, jornal, programas infantis) quer que a gente seja. Tô fora!!!! Tô fora meeeeeeeesmo!!!!! (Nem temos mais canal aberto ou TV a cabo). Eu sou eu. "Eu sou o que eu sou, eu faço o que faço. E quem é que vai dizer o que é certo ou errado§"
E assim levo minha vida e agora da minha família. As vontades aparecem. Mas eu vou lá dentro do meu coração e pergunto o que eu vou fazer. E sempre tenho uma linda resposta.
E assim começou a cama compartilhada.
Nada de berço novo, de montar outro quartinho e tal. Aiko no começo dormia no bebê conforto (coisa que o Taian não gostava). E deu tempo de pensar em como eu ia fazer a transição: bebê conforto - berço, berço - cama. Quem vai pra cama, pensei. O Taian continua no berço e eu coloco o Aiko na nossa cama. Não! Não me senti confortável com essa ideia. Então o Aiko vai pro berço e o Taian pra nossa cama. Pronto! Meu coração aprovou essa ideia. E foi isso que fizemos. Aiko foi crescendo e chegou a hora de colocar no bercinho. Nossa, vou te falar uma coisa: porque quando se trata de filhos, maternidade, parece que tudo se transforma em problema. Não pode isso, não pode aquilo. Vai mimar, vai ficar manhoso, não vai conseguir... Como assim não vou conseguir§ Como assim não sei o que estou fazendo§ O filho é meu, a vida é minha e quem mais sabe o que fazer ou não, sou eu! Talvez por isso tantas crianças e mães e pais traumatizados, infelizes... É muito pitaco né!
Voltando ao assunto do berço... Aos pouquinhos fui colocando o Aiko no bercinho do Taian. Numa sonequinha aqui, outra ali. E ia lá mostrar pro Taian que o Aiko estava lá na caminha dele. Tudo sempre muito tranquila e firme. A energia sempre suave, demonstrando que aquilo fazia parte do nosso dia a dia. Ele olhava pro bercinho, olhava pro Aiko. Claro que ele estranhou! Claro que não entendeu! Mas coube a mim explicar de forma tranquila, natural que não tinha problema o Aiko dormir ali no bercinho. A minha energia diante da situação é praticamente 90% de dar certo ou errado. Eles sentem o que a gente sente. Sentem mesmo. Eles lêem nossos pensamentos, pode crê! Eu também estava apreensiva com a nova situação, mas alguém ali tinha que fazer alguma coisa e esse alguém só podia ser eu. Tudo bem , isso foi durante as sonequinhas mas e à noite, como vais ser§ E também aconteceu de forma bem natural. Durante o dia eu ficava conversando com o Taian. E explicava que agora o Aiko ia dormir no bercinho e ele ia dormir na cama com o papai e com a mamãe.
E assim foi. Taian começou a dormir com a gente e Aikinho no bercinho. Como o Aiko ainda era muito bebê, no meio da noite eu pegava e colocava ele na nossa cama também. Eu preferi sempre, desde o Taian, dormir com eles na cama, dar mama na cama, do que ficar levantando, pegando no berço, sofá, volta pra cama... Assim eu me sentia mais descansada, mais feliz, mais aconchegada.
Hoje continuamos dormindo todos juntos. A cama box virou só o colchão e colocamos um outro colchão ao lado da cama. Tem espaço pra todo mundo. E assim fica: papai, Taian, eu e Aiko. Até tentamos mudar a configuração da cama. Mas vou te confessar uma coisa: nós dois sentimos falta do corpinho deles na gente, da respiração na nossa cara, do braço, da perna em cima da gente. E não deu outra, embolamos todo mundo de novo e foi muito bom! Eles são tao pequenos ainda, tão gostoso curtir esse momento juntinhos porque eu sei que vai passar e eu tenho certeza que eles vão pro quartinho deles, pra caminha deles, quando eles acharem que está na hora. Eu nao tenho medo, nunca tive medo. Medo que eles nao vão sair da nossa cama. Como não tive medo de ninar, de dar colo... Hoje eles dormem na cama sozinhos por conta própria. Eles pediram pra sair do colo e ir pra cama. Fico com eles até dormirem, mas nada de colo. Cada um no seu cantinho da cama de mãos dadas com a mamãe ou o papai.
Mas aí vem o lance do casal. Também já li muitas teorias. E, quer saber, ainda continuo achando que está tudo errado, trocado. Que o casal tem que ter o seu canto, a cama é dos pais, como vão namorar..... Ai gente, não sei não viu. Ou eu sou muito doida ou muito sem noção. Ou então com noção demais. Só sei que é assim. Todo mundo junto e misturado, mas ao mesmo tempo cada um tem seu cantinho, sua individualidade. E quando é pra namorar, namora em qualquer cantinho. É, temos saudade de dormir juntinhos, de conchinha, de acordar e .... (não preciso entrar nos detalhes, rs!) Mas, como já falei, é tudo passageiro. Já curtimos sozinhos, agora vamos curtir com eles, depois a gente curti de novo dormir de conchinha... E, na verdade, depois é depois....
Antes de termos filhos, viajamos, a cama era só nossa, o tempo era só nosso. E assim curtimos o nosso momento casal. Pronto! Agora vieram os filhos. Vamos atualizar a configuração casal, editar, salvar e editar de novo.... Daqui a pouco eles crescem e a cama vai ser só nossa. Então, cada momento, cada fase da vida é diferente e única. E é legal saber aproveitar e aceitar. Tá. Claro que temos as nossas diferenças. Brigamos. Discordamos. Mas conversamos, sempre! Muito. Muito mesmo. Mas esse é outro assunto.

Aqui a cama compartilhada dá certo e, confesso, que é muuuuuito gostoso!

P.S. A foto lá em cima é mais antiga. O Aiko ainda tinha meses e estava bem carequinha. Hoje o Aiko tem quase dois anos e o Taian ja está com três e continuamos dormindo juntinhos e quentinhos.












quinta-feira, 3 de abril de 2014

Para Isadora

A convite da minha amiga e brilhante criadora desse blog, escrevo esse texto, acho que mais para a Isadora do que pra outra coisa. A cada palavra eu ficava pensando em como será pra ela ler esse texto daqui a um tempo. Creio que o que é postado na rede, fica na rede, e daqui a alguns anos, se ela procurar, mesmo que nao me pergunte ou eu nao esteja mais nesse mundo, ela poderá achar. Entao voila!

Para Isadora.
Isadora nasceu! Essa era a frase que mais me fazia chorar! Eu não podia ouvir ou pensar nela que chorava. E não era um chorinho, eu choraaava!!! Bom, depois que ela nasceu eu chorava por qualquer coisa, mas olhar pra ela, segurar, amamentar e pensar nessa frase, me faziam chorar muito. Eu chorava de amor! Aquele bebê tão desejado, tão esperado e tão amado enquanto estava guardadinho na barriga tinha surgido no mundo. E isso era enlouquecedoramente adorável! Como eu, alias, nós, conseguimos produzir um ser tão lindo e tão perfeito e tão cheio de vontade com apenas 1 semana de vida?????? Isadora surgiu em nossa vida com toda a complexidade de um ser humano. Com dias de vida ela já sabia o que queria daquele pequeno mundo que conhecia, e o pior, ela tinha certeza absoluta do que não queria! Como ninguém me avisou que um ser tão pequeno e recém saído do útero sabia tanto assim da vida???? Me senti tão enganada!!!! Enfim, Isadora chegou ao mundo não da forma que eu desejava. O parto normal, meio que natural (digo meio, dessa forma, porque ainda morro de medo de falar com todas as letras que eu nao queria analgesia) não aconteceu. Nós não nos vimos a primeira vez como eu desejava. Na cesária, o neném não é colocado no colo da mãe assim que nasce, ele é enrolado em um pano e colocado próximo ao rosto da mãe, que cheia de fios e monitores, tenta se esticar e tocar num pedacinho do rosto. Enfim ela tocou em mim, tocou no meu rosto e o som do seuchoro ainda ecoa doce nos meus ouvidos. (Tá certo, no meio da madrugada, esse eco não é tão agradável). Nós duas chorávamos de confusão, talvez nós três, mas papai não vai admitir assim tão fácil, afinal de contas, ele segurou a maior onda quando, no primeiro mês de vida, ela chorava das 8pm ate as 2 da manha sem parar e dormia de exaustão! E Deus sabe lá o que ela queria. Depois que esses choros até as 2 da manha passaram, começaram as cólicas.. meu Deus, o que era aquilo? Das 5 da tarde ate as 8 da noite.. nao era normal, nao podia ser normal... o pior é que dizem que é normal.. e não havia nada que eu pudesse fazer (eu praticamente só comia alface e nada de passar), só ficar com ela,  na penumbra, com musiquinha, tentando achar a posição mais confortável no colinho.. até que passava...mas aí, já era hora de mamar de novo... meu Deus.. tadiiinha!!!! Mas era assim, e ela mamava e dormia!!! Dormia até o dia seguinte!! E eu pensava: meu Deus, isso é normal????? Desespero de mãe de primeira viagem! Hoje dou graças a Deus quando vai até o dia seguinte direto. O marido as vezes pergunta se eu nao vou dar uma mamadeira só pra garantir... Eu digo que nao se mexe em time que ta ganhando!! Deixa o neném dormir!!!!! RsEnfim, depois do desespero do início, do bendito “baby blue” (merece um post só sobre isso), também não me apaixonei do jeito que pensei que fosse me apaixonar. Me apaixonei muito mais, é um amor que nunca senti e nunca imaginei existir, é literalmente ter o coração fora do corpo. E a cada dia me apaixono mais, pela descoberta, pelas conquistas, pelas birras, pelos sorrisos, pelos choros, pelos dentes que nascem, pelos desafios os quais ela me impõe e pelo mundo novo que ela me apresentou.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Eu - O Arco \ Eles - A Flecha

"Teus filhos não são teus filhos.
São filhos e filhas da vida, anelando por si própria
Vem através de ti, mas não de ti.
E embora estejam contigo, a ti não pertencem.
Podes dar-lhes amor mas não teus pensamentos,
Pois que eles tem seus pensamentos próprios.
Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas
Pois que suas almas residem na casa do amanhã,
Que não podes visitar se quer em sonhos.
Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procureis
Fazei-lhos semelhantes a ti,
Pois a vida não recua, não se retarda no ontem.
Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são
disparados....
Que a tua inclinação na mão do Arqueiro seja para alegria."

Kalil Gibran



terça-feira, 1 de abril de 2014

WELCOME to MY LIFE!



E o que fazer quando está na hora da soneca, a casa de cabeça pra baixo (pós-almoço), criançada enlouquecida, gritando, correndo, resistindo ao sono; cachorro zanzando pra lá e pra cá atrás de um resto de comida....E ainda a cabeça cheia de ideias, vontade de escrever, escrever e escrever§§§
Larga tudo e vai lá! Esporro em todo mundo (rsrs!!!). Parece que eles pedem "me dá um limite, mamãe!" 
São dois!!!!! Quando era um, nossa!! Era fácil, viu! Agora dois... Eles me enlouquecem. Perco total a conexão e em segundos o que estava em Santa Paz, vira uma putaria geral! Parece show de heavy metal, sabe§ Quando a galera se separa, cada uma de um lado e de repente saem correndo, uma em direção a outra e dá-lhe encontrões e empurrões e gritos e caem no chão e ....... Ufa! É assim aqui. Aí não tem jeito. A mãe perfeita (pelo menos é onde quero chegar, mesmo sabendo que não se chega nunca a essa perfeição...) se desconecta do seu "eu" interior, esquece de respirar fundo e sai gritando (ou melhor, dando esporro mesmo); pega menino pelos braços, que está la no meio da cozinha e coloca no sofá. Pega outro menino, que está na sala (minha casa é mini, então em um passo eu estou na cozinha e, em outro, na sala) e coloca no outro sofá, rs! Já que está todo mundo gritando então vou gritar também!!!! "TODO MUNDO QUIETO AGORA!" Pronto, gritei! Tá. Não precisava. Precisava sim. Nem tanto. Precisava sim. Eu pedi mais de uma vez, então precisava. Mas a psicologia diz... A teoria de Waldorf, teoria de Maria Montessori, e o Carl Rogers, e a Gestalt.......
Aaaahhh!!! Pras cucuias todo mundo. Agradeço, sim, a todas essas teorias que eu admiro e me inspiro e me identifico. As vezes, minhas falhas são mais fortes que meus ideais e eu preciso vomitar!!! 
Mas está tudo bem. Sempre existe um recomeço, tudo é aprendizado. E, olha, eu já estou bem melhor viu. Antes eu nem tinha paciência (só cara de santa mesmo). Acho que Deus, na hora que meu pai e minha mãe estavam lá me produzindo (não precisam visualizar!!), falou assim: "essa menina aqui vai nascer sem a paciência". 
Hoje, a paciência anda do meu ladinho, sempre me lembrando que existe e faz parte do meu ser. 
É, meus filhos vêm me curando de muitas coisas e eu aceitando muitas outras coisas também. 
E viva a Maternidade!!!