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sábado, 21 de junho de 2014
Minha "dupla de dois"
Essa dupla é pra vida inteira.
Essa dupla é para sempre.
Essa dupla é a minha maior realização.
Essa dupla é a que mais mexe aqui dentro de mim.
Essa dupla é a minha luz e a minha escuridão.
Essa dupla destrói todos os meu paradigmas.
Meus padrões, minhas crenças, minhas certezas.
Todos os dias eles destroem a minha rigidez.
Hoje eu sou uma.
Amanha vou acordar de outro jeito, diferente de ontem.
E ao dormir já serei outra em relação ao dia todo.
Essa dupla espreme o meu coração todos os dias.
E extraem de mim o pior.
E dói. Dói me enxergar. Dói olhar meus defeitos.
Encarar os meus monstros.
Dói assumir que eu falho todos os dias.
O tempo todo.
Eles me resgatam e me trazem para a NOSSA realidade.
Todos os dias.
Quantos "mamãe!!" eles falam pelo dia?
Depende.
Depende se eu estou aqui no AGORA.
Ou lá no passado..
Ou lá no futuro..
Mas....
Vale a pena.
Eles também extraem de mim o meu melhor.
Minha doçura.
Minha criatividade.
Minha criança.
Minha suavidade.
Meu amor.
Meu cuidado.
Meu carinho.
Meu espírito.
Meu agora.
Me sinto cada dia mais livre.
Livre de mim mesma.
Livre de uma Duda que eu construí ao longo desses 35 anos.
Aprendemos juntos.
Melhor ainda: eu aprendo com eles.
Aprendo a voltar a viver um mundo de verdade.
Um mundo que eu larguei anos atras.
O mundo do coração.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Para Isadora
A convite da minha amiga e brilhante criadora desse blog, escrevo esse texto, acho que mais para a Isadora do que pra outra coisa. A cada palavra eu ficava pensando em como será pra ela ler esse texto daqui a um tempo. Creio que o que é postado na rede, fica na rede, e daqui a alguns anos, se ela procurar, mesmo que nao me pergunte ou eu nao esteja mais nesse mundo, ela poderá achar. Entao voila!
Para Isadora.
Isadora nasceu! Essa era a frase que mais me fazia chorar! Eu não podia ouvir ou pensar nela que chorava. E não era um chorinho, eu choraaava!!! Bom, depois que ela nasceu eu chorava por qualquer coisa, mas olhar pra ela, segurar, amamentar e pensar nessa frase, me faziam chorar muito. Eu chorava de amor! Aquele bebê tão desejado, tão esperado e tão amado enquanto estava guardadinho na barriga tinha surgido no mundo. E isso era enlouquecedoramente adorável! Como eu, alias, nós, conseguimos produzir um ser tão lindo e tão perfeito e tão cheio de vontade com apenas 1 semana de vida?????? Isadora surgiu em nossa vida com toda a complexidade de um ser humano. Com dias de vida ela já sabia o que queria daquele pequeno mundo que conhecia, e o pior, ela tinha certeza absoluta do que não queria! Como ninguém me avisou que um ser tão pequeno e recém saído do útero sabia tanto assim da vida???? Me senti tão enganada!!!! Enfim, Isadora chegou ao mundo não da forma que eu desejava. O parto normal, meio que natural (digo meio, dessa forma, porque ainda morro de medo de falar com todas as letras que eu nao queria analgesia) não aconteceu. Nós não nos vimos a primeira vez como eu desejava. Na cesária, o neném não é colocado no colo da mãe assim que nasce, ele é enrolado em um pano e colocado próximo ao rosto da mãe, que cheia de fios e monitores, tenta se esticar e tocar num pedacinho do rosto. Enfim ela tocou em mim, tocou no meu rosto e o som do seuchoro ainda ecoa doce nos meus ouvidos. (Tá certo, no meio da madrugada, esse eco não é tão agradável). Nós duas chorávamos de confusão, talvez nós três, mas papai não vai admitir assim tão fácil, afinal de contas, ele segurou a maior onda quando, no primeiro mês de vida, ela chorava das 8pm ate as 2 da manha sem parar e dormia de exaustão! E Deus sabe lá o que ela queria. Depois que esses choros até as 2 da manha passaram, começaram as cólicas.. meu Deus, o que era aquilo? Das 5 da tarde ate as 8 da noite.. nao era normal, nao podia ser normal... o pior é que dizem que é normal.. e não havia nada que eu pudesse fazer (eu praticamente só comia alface e nada de passar), só ficar com ela, na penumbra, com musiquinha, tentando achar a posição mais confortável no colinho.. até que passava...mas aí, já era hora de mamar de novo... meu Deus.. tadiiinha!!!! Mas era assim, e ela mamava e dormia!!! Dormia até o dia seguinte!! E eu pensava: meu Deus, isso é normal????? Desespero de mãe de primeira viagem! Hoje dou graças a Deus quando vai até o dia seguinte direto. O marido as vezes pergunta se eu nao vou dar uma mamadeira só pra garantir... Eu digo que nao se mexe em time que ta ganhando!! Deixa o neném dormir!!!!! RsEnfim, depois do desespero do início, do bendito “baby blue” (merece um post só sobre isso), também não me apaixonei do jeito que pensei que fosse me apaixonar. Me apaixonei muito mais, é um amor que nunca senti e nunca imaginei existir, é literalmente ter o coração fora do corpo. E a cada dia me apaixono mais, pela descoberta, pelas conquistas, pelas birras, pelos sorrisos, pelos choros, pelos dentes que nascem, pelos desafios os quais ela me impõe e pelo mundo novo que ela me apresentou.
domingo, 30 de março de 2014
Cheguei!
Foi assim com meu segundo filho: Aiko. Quando vi, estava grávida. Quando vi, estava em trabalho de parto.Quando vi, nasceu! "Cheguei, mamãe!"
Me apaixonei pelo Taian a partir dos 8 meses. E aí já comecei a pensar no segundo filho. Mas a gente queria esperar, deixar ele crescer mais um pouquinho. Até que esperamos um "pouquinho" mesmo. Quando o Taian fez um aninho eu estava grávida de algumas semanas.
O Aiko não nasceu em casa como o Taian. Bem que eu queria. Pesquisei, pensei e resolvi ir pra Casa de Parto de São Sebastião.
Na madrugada do dia 13 de julho de 2012 eu comecei a sentir as contrações. Foi muito mais consciente do que a primeira gravidez. Eu sabia o que ia acontecer, eu sabia o que eu ia sentir, como eram as contrações e a hora "H"!! (Essa hora "H" ainda me apavorou mesmo sendo o segundo filho).
Segurei a onda, respirei, contei os minutos e cada hora que passava as contrações vinham em tempos menores. Quando a contração vinha, como uma cólica, eu acordava, mudava de posição, pra cá, pra lá; soltava o ar com força e com som. Fazer xixi ajudou muito. Ia pro banheiro, sentava, relaxava, respirava, visualizava a dilatação e, então, o xixi terminava, a contração passava e eu voltava pra cama. Já pra amanhecer não dormi mais. Esperei o Duane (pai) acordar pra gente conversar e combinar o que ia ser feito. Liguei pra doula (Marcela) e ela falou pra eu ir pro chuveiro. As contrações continuaram e uma dica muito importante que ela me deu: "Se na hora da contração você tiver sumindo do seu 'eu', a tal da partolândia rsrsrs, pode crê que tá parindo!!!"
E lá fomos nós! Nada agradável andar de carro quase parindo. Fora a cara do povo olhando uma mulher de quatro no banco da frente fazendo não sei o que! Contração é assim: mexe pra cá, mexe pra lá até encontrar uma posição pra aliviar o desconforto.
Na gravidez inteira do Aiko me visualizei chegando na Casa de Parto já com uns 8cm. Massa! Cheguei lá com 7cm e a enfermeira nem deixou eu voltar pra casa. Já fiquei por lá mesmo. Isso era umas 9hs da manhã. Sentei na bola, fui pra banheira e de lá não saí. O Duane entrou também. É muito bom ter alguém pra abraçar, te segurar e até mesmo te fazer sentir segura. Sempre me falando coisas positivas, pra eu me acalmar; segurou uma super onda também. Acho que os pais tinham que ter uma outra doula só pra eles, rsrsrs! Essa hora também já não sabia de mais nada mas ao mesmo tempo sabia de tudo. Não ouvia nada, mas ouvia tudo. Entende§§ Nem eu.... "Toma um chazinho de canela..." "Toma uma água.." "Vamos caminhar um pouquinho aqui fora.." "Quer que eu desligue a música§§" (ainda sem interrogação)
Ãh§ Oi§ Como§ Quem§ Aonde§ Música§ Que música§ rsrsrs!!!
Então, deu vontade de ir la no banheiro (não vou entrar em muitos detalhes, rsrs). Fui. Pois é, mas não era só vontade de ir ao banheiro, já era a vontade da força da fase de expulsão. Eu lembro muito de estar no vaso (aff! rs) e a Marcela com o olho arregalado pedindo, com muita calma (doula linda!), pra eu sair dali porque o neném estava nascendo. Ãh§§§ Eu aqui com vontade de fazer cocô e você vem me falar que o Aiko quer nascer!!!! Pô Aiko, já aprontando comigo! "Vem Duda, vem, você não pode ficar aí, ta nascendo.."( kkkkkkkk) Muleque sacana! Enquanto que o Taian ia e voltava na hora que eu fazia a força, o Aiko ja quis aproveitar o embalo do cocô... rsrsr!!
Voltei pra banheira e às 13hs nasce meu pequeno Aiko nas mãos do papai!!!! E, claro, logo veio para os meus braços; tão pequeno, tão molinho, tão doce, tão cheiroso, tão tudo de tudo. É muito AMOR! É muita OCITOCINA!!!
E a dor§
Ah! a dor..... Tão forte, tão doída e tão mas tão gratificante, emponderante, despertante, curadora.
Depois de dois lindos filhos paridos, na fé, na entrega, na conexão com a natureza, posso dizer que sou uma mulher GRATA, EMPONDERADA, DESPERTADA, CURADA!!!
AMO PARIR!
quinta-feira, 20 de março de 2014
Seja Bem Vindo, Taian!
Esse é o primeiro post de todos. E já vou começar contando como foi o nascimento do Taian! Meu lindo e especial Taian!
Foi assim....
Acordei (devia ser uma 8hs da manhã), levantei e senti uma água saindo. Liguei pra Marcela, minha doula e contei o que aconteceu. Ela (que mora em Goiânia), saiu correndo (deve ter saído correndo, rs) e veio pra cá. Bom, a bolsa estourou. Mas saía pouca água. Eu, super tranquila. Não fazia a menor noção do que me esperava. Meu dia foi normal. Tomei café da manhã, zanzei pela casa e esperando a Marcela chegar. Ela (me pareceu estar nervosa) me ligou algumas vezes pra saber se estava tudo bem. Acho que eu estava mais tranquila que ela. Mas ela já tinha um filho e ela SABIA o que estava acontecendo.
*Uma coisa que acontecia muito: quando eu deitava parava tudo. Não tinha contrações e a água da bolsa parava de sair.*
E então, a Marcela disse pra não ficar deitada; ficar caminhando, pois quando deita o trabalho de parto para. Marcela chegou e todos ficamos muito felizes em vê-la. As contrações foram aumentando e ficando mais fortes mas nada regular. Tomei chá, caminhamos até que as contrações começaram a apertar. Fomos pra casa. E aí, minha amiga, o bichou começou a pegar. Fomos pro quarto. Eu, Marcela e Duane (o pai). Era umas 5hs-6hs da tarde. A cor do pôr do sol ajudou a embelezar o ambiente do quarto, mas até aí eu ainda tinha consciência de onde estava, quem estava do meu lado, consegui ver o sol, sabia quem eu era. Depois da terceira contração forte que eu jurei que, "se for assim eu aguento.." (aham); eu fui embora. Entrei em outro mundo. Sentia a presença deles do meu lado, sentia o corpo deles, sentia a energia diferente. Nem sei dizer. Fui pra bola. Fui pro chuveiro. Chuveiro E bola. Impressionante. Não sei como descrever o tamanho da dor que eu senti. Mas já vi relatos e videos de mulheres que não sentiram tanta dor. Pois é, mas eu senti viu. E PU%$QUEPARIUUUUU!!
Sei que muita gente deve ta pensando que eu xinguei, neh! Mas, não. Fiquei quietinha no meu canto e a única palavra que saía da minha boca era "Ai gente..", ou então, "Não quero mais, quero ir embora (essa é boa!)." Essa dor me fez viver coisas que nunca senti na vida. Ela me engoliu. É, engoliu meeesmo. Nunca suei tanto na vida, nunca fiz tanta força na vida. Entre uma contração e outra, eu dormia. Dormia não. Apagava até a próxima contração. Jurei que não ia conseguir. Meu Deus!!! Não era pra ser lindo§§ (estou sem interrogação). Onde é que tá o lindo aqui§§ O lindo é a natureza tão sábia e verdadeira! O lindo é você acreditar em você, saber de onde você vem. Que você é a natureza em forma de ser humano. Que o seu corpo sabe parir. E então você acredita na sua força, você desperta. Você se conecta com o que há de mais sagrado, o Universo. Mesmo que na hora não dê muito pra perceber tudo isso que acontece, mas é isso que acontece. E por isso, meu Deus, é lindo!! A última força que eu fiz, a sensação fisica do bebê saindo é incrível! O alívio, a satisfação, o cansaço, esgotamento, nossa, o amor! Ah, o amor! Esse dá muitas postagens....
E, entao, as 12hs34min (da madruga), meu pequeno ser se fez presente!!
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